Uma matéria do site UOL Notícias, do dia 22/05, traz em sua visualização nas redes sociais uma frase atribuída falsamente ao presidente Jair Bolsonaro. O uso de aspas serve apenas para quando as palavras foram exatamente aquelas, o que não aconteceu na escolha editorial que inverteu a mensagem ao acrescentar uma palavra que mudava o sentido da frase.

A fake news do UOL, porém, não é percebida por todo mundo, pois a frase manipulada foi mantida apenas na URL, no endereço eletrônico da notícia, mantendo o conteúdo sem grandes manipulações. O truque se vale da baixa visualização do conteúdo se comparado à exposição do título nas redes sociais.

A frase estampada no título da notícia diz: “‘Não quero uma ditadura, mas não dá pra segurar mais’, diz Bolsonaro”. Ela é levemente semelhante à frase dita pelo presidente no vídeo da reunião ministerial que foi vazado pelo STF, exceto pela palavra “mas” que foi acrescentada pelo site para dar a impressão de que o presidente pretendia, mesmo contra a própria vontade, implantar uma ditadura no país. Basta clicar na matéria, porém, para observar que o conteúdo é exatamente oposto.

O truque é muito comum e frequentemente sites que espalham fake news se valem da pouca leitura que têm de seus textos em comparação com a grande visualização e compartilhamento nas redes sociais devido títulos chamativos. Estima-se que a imensa maioria das pessoas não abre os links, contentando-se com títulos, o que facilita a manipulação. A notícia do UOL foi fartamente compartilhada por opositores de Bolsonaro na época em que foi publicada, período de divulgação do vídeo vazado da reunião ministerial.

Veja abaixo o verdadeiro título e como o site manteve o título errado apenas na URL, no endereço do site, que é o que determina como a notícia aparecerá na visualização das redes sociais.

Observe o título fake aparecendo apenas no endereço da matéria, enquanto o título verdadeiro, abaixo, demonstra que Bolsonaro estava associando os prefeitos e governadores a ditadores e não prometendo implantar uma ditadura, como o título fake sugeria.

A frase verdadeira dita pelo presidente na reunião foi transcrita pelo site corretamente e aparece no texto como na imagem abaixo, onde se pode comparar com a que foi usada na URL.

O acréscimo da palavra “mas” faz toda a diferença como se pode observar pelo efeito do título, que fazia parecer que Bolsonaro estava se sentindo forçado a implantar uma ditadura, apesar de não querer.

Agora leia abaixo o conteúdo correto da reunião e conclua se o presidente buscava mesmo implantar uma ditadura ou, ao contrário, evitar uma:

“O que esses filhos de uma égua querem é a nossa liberdade. Por isso que eu quero que o povo se arme. Para ter a garantia de não aparecer um filho da puta e impor a ditadura aqui. Porque é fácil impor a ditadura. Facílimo. Um bosta do prefeito faz a bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia para a rua. E se eu fosse ditador, eu iria desarmar a popular como fizeram no passado”, disse ele.

“Eu quero mandar um puta de uma recado para esses bostas, o porquê que eu quero armar o povo. Não quero uma ditadura. E não dá para segurar mais. Não dá para segurar mais. Enquanto não aceitarem as minhas bandeiras, como Deus, família, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado…, estarão no governo errado. Esperem para 2022, com Haddad, Alckmin, Alvaro Dias. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles. No meu governo, não. É escancarar a questão do armamento. Eu quero o povo armado, porque o povo armado jamais será escravizado”, completou.

“Pegar o Bolsonaro de qualquer jeito” e “Fingindo fazer jornalismo”

Em maio de 2018, pouco antes do início das eleições, o jornalista Fernando de Barros e Silva, diretor de redação da Revista Piauí, cujo site hospedado pela Folha/UOL, afirmou que as reportagens do jornal tentariam “pegar o Bolsonaro de qualquer jeito”.

A afirmação foi feita no segundo episódio do podcast de política da revista, o Foro de Teresina, que foi ao ar no dia 24 de maio de 2018. Segundo Fernando, a informação seria proveniente de “quatro colegas que ocupam cargos de chefia” que conversaram com ele em off (sem que fossem identificados posteriormente).

O jornal adotaria uma linha editorial para “prejudicar o Bolsonaro fingindo fazer jornalismo”. Palavras usadas pelo editor e que ecoaram nas redes sociais na época.