A Mobees aposta que o futuro dos outdoors será mais inteligente e móvel. Adtech carioca dedicará o semestre para validar seu modelo de negócio, após aporte de R$ 5 milhões

A Mobees aposta que o futuro dos outdoors será mais inteligente e móvel — e que motoristas de aplicativo poderão ganhar uma renda extra sem trabalhar ainda mais horas. A startup de publicidade (adtech) carioca instala painéis com anúncios nos carros compartilhados, em troca de uma comissão fixa mensal que pode chegar a R$ 1.000.

A ideia foi executada no meio de junho, com 100 motoristas de app cadastrados. A lista de espera já está em 10 mil profissionais autônomos. Os próximos meses serão voltados à validação do modelo de negócio da Mobees. Já 2021 será o ano da expansão para além do Rio de Janeiro.null

Ideia de negócio: “Instagram das ruas”
A Mobees foi criada por Fabio Barcellos, Flávia Coelho e José Lyra Júnior. Antes de fundar a startup de publicidade, os empreendedores eram especialistas em startups de educação. O economista Barcellos e o engenheiro Lyra Júnior cofundaram a edtech de aprendizado digital Affero Lab, vendida em 2018. Coelho trabalhava como diretora de produtos digitais na mesma startup de educação.

A próxima ideia dos três empreendedores era gerar renda a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. “A educação transforma a vida das pessoas. Mas existe uma parcela da população que não pode ficar apenas esperando que o setor se democratize: o ciclo de capacitação e melhor emprego futuro pode ser muito longo”, diz Barcellos. Ao mesmo tempo, eles tinham a percepção de que um anúncio no mundo real deveria ser tão inteligente quanto um anúncio nas redes sociais.

A primeira ideia para um “Instagram das ruas” era que pessoas carregassem tablets com anúncios enquanto iam de um lugar a outro. A proposta não foi validada pelas empresas anunciantes, que temiam associar suas marcas à capacidade de representação e de vendas de usuários desconhecidos. Os empreendedores pivotaram para outra forma de publicidade física e móvel: carros compartilhados carregariam esses painéis e o mostrariam aos passageiros.

Segundo dados do IBGE coletados pelos fundadores, mais de 1 milhão de pessoas trabalham em aplicativos de mobilidade. São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as maiores cidades da gigante Uber. A Mobees estima seu mercado potencial em US$ 1 bilhão por ano, pegando partes dos mercados de mídia out of home (estimado pela startup em US$ 2 bilhões) e de marketing digital (US$ 5 bilhões).

A adtech carioca instala painéis de LED em carros compartilhados, exibindo propagandas hipersegmentadas com escala. Os anúncios digitais são exibidos com base em clima, geolocalização, horário e outros parâmetros definidos pelas marcas. O algoritmo próprio da Mobees otimiza a distribuição das campanhas pelos carros com painéis instalados.

As companhias conseguem analisar resultados em tempo real e podem mudar estratégia e orçamento de campanha. Os dados são coletados de forma anonimizada. Podem mostrar às marcas, por exemplo, quantas pessoas estavam em volta do anúncio exibido de acordo com o número de sinais de celular em um raio de 30 metros. A coleta gera a métrica de custo por milhar de impressões (CPM).

As anunciantes poderão futuramente especificar qual público querem atingir com seus anúncios e ter horários e locais de publicidade otimizados. Por exemplo: impactar mulheres com cerca de 30 anos de idade, que tenham filhos e que gostem de se exercitar.

Os motoristas ganham uma comissão fixa por ficarem com os painéis instalados. Pelo pagamento fechado, os profissionais não compartilham o risco da Mobees. A adtech se responsabiliza por atrair anunciantes e instalar e consertar painéis. O pagamento mensal ao motorista vai até R$ 1.000, obtido após quatro meses dentro da plataforma.

Essa renda significa um acréscimo de 25% a 30% na renda líquida média mensal dos motoristas, segundo a Mobees. “É um valor que pode pagar custo do automóvel, escola do filho, plano de saúde para a família. Ou permite que ele trabalhe menos horas”, afirma Barcellos.

O último elo da cadeia são as administrações públicas. A Mobees busca chegar a novas cidades já dialogando com os governos. Algumas cidades têm regulações sobre mídia out of home, caso da Lei Cidade Limpa em São Paulo.

Na capital carioca, a Mobees realizou uma parceria com o SindRio. Pelo sindicato das empresas de alimentação, 15 restaurantes anunciaram nos painéis da adtech e conseguiram um impulso em tempos de pandemia. A startup também disponibiliza gratuitamente para prefeituras dados coletados por seu painel móvel, como qualidade do ar. Dessa forma, as administrações não precisam investir em sensores fixos.

Mobees: da validação para a escala
A ideia da adtech carioca captou um aporte de R$ 5 milhões, liderado pelo fundo Canary e completado pelo fundo Norte Capital e por anjos de startups como iFood, Rappi, Volanty, 99, BizCapital, Yellow e Hashdex.

A Mobees lançou sua solução no meio de junho, com 100 carros no Rio de Janeiro. O negócio espera alcançar uma frota de 200 carros em outubro. Motoristas procurando renda extra não faltam — especialmente se eles não precisarão trabalhar ainda mais horas. A lista de espera já está em 10 mil motoristas.

Porém, a adtech está focando em obter mais anunciantes e provar seu modelo de negócio neste semestre. A Mobees atende oito anunciantes hoje. Exemplos são Descomplica, Motorola, Unimed Rio e Volanty.

Em 2021, o plano será absorver a lista de espera e escalar a solução a milhares de motoristas de app pelo país. Além do Rio de Janeiro, outras 20 cidades brasileiras e 5 cidades de outros países da América Latina estão mapeadas para o crescimento futuro da Mobees.

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Fonte: Revista Pegn