Em denúncia enviada à Justiça nesta sexta-feira (3), o Ministério Público Federal (MPF) afirma que o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o senador José Serra (PSDB-SP) teria três etapas e que o parlamentar teria recebido, ao menos, R$ 4,5 milhões em propina da Odebrecht entre 2006 e 2007.

“Especificamente, JOSÉ SERRA praticou, entre outros, três crimes de lavagem de ativos por ter participado, de forma consciente e voluntária, da primeira (por meio do uso da CIRCLE TECHNICAL, de JOSÉ AMARO), da segunda (por meio do uso da DORTMUND INTERNATIONAL) e da terceira camadas de ocultação e dissimulação (por meio de transferências para a FICUS CAPITAL e para a CITADEL FINANCIAL ADVISORY)”, diz trecho da denúncia.

Na primeira etapa, segundo o MPF, Serra teria solicitado R$ 4,5 milhões à empreiteira e os valores deveriam ser pagos por meio da offshore chamada Circle Technical Company Inc.

Na segunda etapa, os valores recebidos pela empresa Circle, da Odebrecht, foram pulverizados e que, “embora os valores respectivos tenham sido movimentados pelo sistema financeiro, eles seguiam sob controle de José Amaro”, amigo de Serra. O MPF diz ainda que algumas das transferências foram realizadas à offshore Dortmund, que é controlada pela filha de José Serra, Verônica Allende Serra.

Na terceira etapa, por fim, a Dortmund teria enviado ao Banco Arner um pedido de transferência U$ 25.000,00 à Ficus Capital, empresa atuante no mercado financeiro internacional, com Francisco Ravecca como um dos sócios.

O MPF diz que “assim, parte dos valores – oriundos da ODEBRECHT – que ingressaram na conta da DORTMUND por meio de transferências realizadas a partir de contas de JOSÉ AMARO foram remetidos a FRANCISCO RAVECCA. Dessa forma, valores transferidos a JOSÉ AMARO RAMOS, pela ODEBRECHT, por solicitação de JOSÉ SERRA e tendo este como beneficiário final, foram remetidos, a partir de diversas operações, ao controle de VERÔNICA SERRA, filha do referido agente político, sendo, ao fim, liquidados para outras contas, em uma terceira camada de dispersão patrimonial, integrante, a toda evidência, de uma cadeia de lavagem de ativos”.

Com informações, R7.