“Se não mudar, saímos fora”, diz Bolsonaro sobre Acordo de Paris

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nessa quarta-feira (12), durante uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, que pretende deixar o Acordo de Paris caso não sejam feitas as mudanças propostas pelo seu governo. Segundo ele, o Brasil pode não conseguir cumprir, até 2030, as exigências previstas no acordo.

“Nós vamos sugerir mudanças no Acordo de Paris. Se não mudar, saímos fora”, disse Jair Bolsonaro . “Quantos países não assinaram esse acordo? Muitos países importantes não assinaram, outros saíram. Por que o Brasil tem que dar uma de politicamente correto e permanecer num acordo possivelmente danoso à nossa soberania? A nossa soberania jamais estará em jogo”, declarou.

O presidente eleito ainda afirmou que o Brasil não conseguiria cumprir as metas exigidas pelo Acordo de Paris , e que passaria a correr riscos de sofrer “sanções até de força”. O documento, no entanto, não coloca qualquer punição para quem não obedecer às regras.

“Se exige que o Brasil faça o reflorestamento de uma área enorme, do tamanho do estado do Rio de Janeiro. Até 2030, se não fizer, as sanções vem aí. No primeiro momento, sanção política, depois econômica, e num terceiro momento tem a sanção da força”, completou o presidente eleito.

Ele também voltou a criticar o que chama de “indústria de multas abusivas e extorsivas do Ibama” e afirmou que a política ambiental não pode atrapalhar o desenvolvimento do País. “Isso atrapalha prefeitos, impede que se abra e até se faça manutenção de estrada, principalmente na Amazônia”, disse.

Bolsonaro também falou sobre o pacto global de migração da ONU, assinado recentemente pelo governo Temer. Segundo ele, não podemos “escancarar as portas” para todos os migrantes e é preciso “ter cautela” com culturas diferentes. Nessa terça, o futuro Ministro das Relações Exteriores já havia dito que o Brasil deixaria no pacto ano que vem.

O Acordo de Paris foi assinado por 195 países em 2015 e tem como objetivo reduzir a emissão de gases do efeito estufa para controlar o aquecimento global. Jair Bolsonarojá disse, durante a campanha eleitoral, que poderia retirar o Brasil do pacto e,  depois de eleito, afirmou que pode seguir no acordo desde que haja mudanças.