Brasil ficou de fora dos planos de eletrificação da gama Sandero e Duster

A Renault anunciou um plano global de reestruturação de seus negócios, batizado de “Renaulution”. O foco da empresa será investir em segmentos mais lucrativos, com modelos maiores e mais caros. Também haverá redução na capacidade produtiva e investimento em nichos específicos, como veículos de compartilhamento e aplicativos de transporte, com carros e marca própria.

Por enquanto, os planos não afetam o Brasil. A marca chegou a alegar que sua perda de participação no mercado nacional em 2020 (de 9% para 6,7%) foi causada pela “mudança de foco estratégico para canais mais rentáveis”, mas no período a marca apenas tirou de linha o Sandero 1.6 GT Line e encolheu a gama do Captur, modelo com maior margem de lucro, por conta da futura reestilização do SUV.

O Kwid terá uma reestilização discreta no Brasil, inspirada no modelo indiano. Mas ele não deverá receber uma nova geração — Foto: Divulgação

A grande dúvida por aqui orbita em torno do Renault Kwid, modelo de baixo custo cuja lucratividade depende do alto volume de vendas — estratégia diametralmente oposta à anunciada pela matriz, que irá focar nos segmentos C/D, de veículos maiores. Questionada por Autoesporte, a fabricante explica que não haverá mudanças em um primeiro momento, mas que a nova política da Renault “deverá acontecer também no Brasil no futuro.”

Parte dos planos envolve a redução na oferta de plataformas (de seis para três) e famílias de motores (de oito para quatro), mas a gama enxuta da marca por aqui não deve ser afetada. Atualmente a Renault produz só duas plataformas e três motores, sendo que o 1.6 16V é oriundo da Nissan. A tendência é que as plataformas modulares CMF sejam aplicadas aos novos Sandero/Logan, Duster e Captur. A marca despista, mas os novos compactos devem chegar ao Brasil em 2022.

A segunda geração do Renault Sandero chegará ao Brasil em 2022 e terá visual similar à versão original romena — Foto: Divulgação

O que pode frustrar os interessados nas novidades é que eles virão sem nenhuma alternativa eletrificada, incluindo a híbrida-leve que estreou na Europa. A Renault afirmou que não há planos de comercializar as novas tecnologias, que estrearam nos modelos da Dacia, no Brasil. A estratégia de focar em nichos mais lucrativos também deve sacrificar o Sandero R.S., vendido apenas na América Latina e que exigiria novos investimentos para chegar à segunda geração.

A marca Mobilize será focada em veículos compartilhados e para aplicativos — Foto: Divulgação

O país também ficou de fora da oferta dos novos veículos que serão desenvolvidos especificamente para compartilhamento e por aplicativos de transporte, como Uber e 99. Esses automóveis serão vendidos pela nova marca Mobilize, criada especificamente para este nicho. O foco em eletrificação, grande apelo do novo plano, será mantido por aqui apenas com o Zoe, que será reestilizado no início deste ano.

Uma informação que pode tranquilizar muitos funcionários é que a redução na capacidade produtiva, que implica em encerramento de turnos e até fechamento de fábricas, não irá ocorrer no país. Segundo a Renault, “a produção do Brasil está adequada à demanda”.

Atualmente a Renault tem quatro fábricas em São José dos Pinhais (PR) — Foto: Divulgação

A marca concluiu que analisa o próximo ciclo de investimentos para a região. No curto prazo, a marca prepara a chegada dos novos Zoe e Captur, que será responsável por estrear dentro da marca o motor 1.3 turbo desenvolvido junto à Mercedes.

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