Fontes internas da Uber estão confiantes de que ganharão um apelo perante a proibição

SÃO PAULO –  Mesmo que a Uber possa perder sua licença para operar em Londres na próxima terça-feira, dia 16 de dezembro, relatos da festa de fim de ano da filial londrina da Uber indicam que seus funcionários não parecem tão preocupados assim com essa importante decisão judicial que pode definir o futuro da companhia em Londres – o maior mercado europeu para a empresa.

Como reportado pelo Business Insider – que enviou jornalistas para cobrir os bastidores da companhia durante sua festa anual de encerramento -, a equipe jurídica da Uber acredita que o recurso apresentado pela empresa deve ser aceito pela côrte, fazendo com que o serviço possa continuar em operação enquanto o apelo judicial é analisado.

Caso aceito, o recurso suspenderá a proibição por meses, já que os magistrados também podem recorrer aos tribunais superiores – processo burocrático que leva tempo. Ao suspender a proibição por meio do recurso, a Uber pode continuar operando normalmente até que a decisão saia por definitivo. Tal estratégia já foi usada no passado pela companhia.

Segundo as fontes internas da companhia, um argumento provável utilizado pela empresa é que uma proibição em toda a cidade é uma resposta desproporcional ao “crime”: a proibição foi imposta porque 14 dos 45 mil motoristas de Londres falsificaram suas identidades para trabalhar.

Alguns funcionários da Uber ainda especulam que Sadiq Khan, prefeito de Londres do partido trabalhista, está blefando. Para eles, Khan está tentenado conseguir votos das categorias que atacam publicamente a Uber e seus serviços para sua reeleição em 2020.

De acordo com os relatos internos da companhia, o prefeito está tentando mostrar que apoia os sindicatos de motoristas que fazem campanha contra a Uber e ajudaram a persuadir o Transport for London (TfL), órgão regulador de transporte da cidade, a proibir o serviço.

Medida para proibir o serviço não é inédita

No fim de novembro de 2019, o TfL revogou a licença de serviço de transporte da Uber pela segunda vez em menos de três anos. Na primeira ocasião, em setembro de 2017, a Uber foi inicialmente considerada “inadequada” para operar.

Após o recurso da Uber ser aceito pela corte londrina, o julgamento só foi ocorrer em junho do ano seguinte – nove meses depois da decisão inicial.

À época da revogação da licença em 2017, Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, chegou a afirmar em seu Twitter oficial que a decisão era “simplesmente errada”.

Nesse primeiro impasse judicial, o resultado foi positivo para a companhia: a Uber foi autorizada a continuar operando, mas teve de se comprometer a adotar diversas medidas de segurança na cidade.

Porém, as autoridades londrinas afirmam que as novas medidas impostas pela Uber não surtiram efeito e que a companhia não conseguiu checar adequadamente a identidade de motoristas e oferecer um serviço seguro aos passageiros.