André Pontes, 40, está sumido desde 8 de setembro. Carro foi encontrado carbonizado na Penha

André está desaparecido há 18 diasArquivo Pessoal Há 18 dias, familiares e amigos se organizam nas buscas, em hospitais, abrigos e institutos médico-legais (IML), para encontrar o paradeiro do motorista André dos Santos de Pontes, de 40 anos. Ele desapareceu, no dia 8 de setembro, após sair de casa, no bairro Tauá, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, para atender passageiros de aplicativos de viagens.

 sumiço de André foi constatado por familiares, ao perceberem a demora no retorno à residência e ao fato do aparelho celular dele estar desligado. O carro do motorista, um Logan preto, foi encontrado carbonizado, no dia seguinte, na Rua Califórnia, na Penha. Moradores relataram que o incêndio no carro foi seguido de uma explosão. A princípio, não foram encontrados vestígios de corpos incinerados no interior do veículo, contudo, a família ainda aguarda o resultado do laudo pericial. Policiais da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) investigam o caso.    Rotina – Desolada, a irmã do motorista, a auxiliar de secretaria Andressa dos Santos de Pontes, de 36 anos, conta que André mantinha a rotina de trabalhar no período noturno para conciliar ao trabalho diurno da mulher e, assim, poder cuidar melhor do filho, de 3 anos. André era motorista de ônibus, mas, há cerca de três anos, por problema de saúde, migrou para aplicativos de viagens.“É uma pessoa extrovertida e amiga. Bom marido, bom filho e excelente pai. Não tinha problemas com ninguém e não recebeu ameaças. Não temos a menor ideia do que aconteceu com o meu irmão. A família está despedaçada e sem saber o que fazer. Meus pais estão abalados, e a mulher dele, à base de remédios. Contamos com o apoio dos amigos”, disse Andressa.

Saga das famílias retrata descaso das autoridadesHá 18 dias, familiares e colegas do motorista de aplicativo se unem para ajudar nas buscas. “Já percorremos várias regiões do Rio, da Baixada Fluminense e Região Metropolitana. Já entramos em hospitais e visitamos institutos médico-legais. Estamos exaustos, mas queremos encontrar o meu irmão. Procuramos saber as características de todos os corpos, não identificados, que aparecem na região. Na medida do possível, fazemos o reconhecimento. Em um deles, encontrado carbonizado, minha mãe fez os exames compatíveis de DNA, mas o resultado só sai em 30 dias”, lamentou Andressa.Para Luciene Pimenta Torres, presidente da Instituição Mães Virtuosas, grupo que agrega mães de desaparecidos, o descaso das autoridades se reflete, na maioria dos casos, no atendimento precário às famílias e na morosidade das investigações e processos judiciais. “ Além da dor da ausência, as famílias sofrem durante e depois do registro de ocorrência nas delegacias. Também é recorrente a demora nas investigações e as falhas processuais. A desinformação e a falta de comunicação entre as instituições só fazem aumentar o sofrimento de quem procura o ente querido. Com raras exceções, nossas autoridades ainda olham os desaparecimentos com indiferença”, pondera Luciene. 

De janeiro a agosto, de 2020, foram registrados 2.133 registros de desaparecimentos no Estado do Rio de Janeiro, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).