General Mourão: “Nunca vi tanta gente atrás de cargos”

Em entrevista à coluna, vice-presidente eleito fala sobre as prioridades do futuro governo

Conhecido pela sinceridade, o general Hamilton Mourão não esconde o incômodo com o caso envolvendo o ex-assessor de Flávio Bolsonaro e espera um esclarecimento o quanto antes.
– Agora o cara sumiu. Tem que aparecer, pô. Ele é quem tem que dar explicações.
Na sede da transição, Mourão ocupa uma ampla sala quase em frente ao gabinete do presidente Jair Bolsonaro. É ali que ele passa os dias em reuniões e recebendo políticos em busca de cargos na estrutura do Estado. Nesta breve conversa com a coluna, ele falou sobre as prioridades do governo e revelou o que mais o surpreendeu nestes 40 dias de transição.

Além da vice-presidência, qual será o seu papel no governo Bolsonaro?
Hoje não estou com nada definido. O que eu vejo mais, é uma visão particular, é que o vice-presidente poderia atuar em uma coordenação do trabalho dos ministérios. Mas, por enquanto, o presidente não decidiu que isso tem que vigorar. Vamos aguardar a decisão dele, ainda vai começar o pacote.

Que pacote é esse? Quando ele será apresentado?
De imediato. E tudo vai passar pelo Congresso, a questão da Previdência, da reforma tributária, a própria questão da desvinculação das receitas, tudo isso tem que passar pelo Congresso.

O que o senhor acha que tem que ser prioridade?
Previdência. Não tem como fugir. A Previdência afeta não só o governo central, como todos os governos dos Estados. A gente vai ter que conseguir mudar esse modelo. Se a gente não mudar, vamos chegar a um ponto em que ninguém paga mais ninguém.

Será encaminhada uma proposta completa ou a reforma será feita em fatias?
É uma PEC que abrange tudo, todo o processo, é um pacotão. Mas abrangeria etapas, fases para aplicação das medidas. Como a gente chama em termos militares: vamos fasear a manobra.

A demora na explicação do caso do ex-motorista de Flavio Bolsonaro não está desgatando o governo?
Ainda não desgastou, mas isso tem que ser resolvido. Tem que ser investigado e os culpados, punidos. Mas o cara desapareceu. Tem que aparecer, pô.

A explicação do presidente, de que o cheque na conta da primeira-dama foi o pagamento de uma dívida, o convenceu?
Convenceu.

O governo vai negociar o plano de recuperação fiscal com o RS?
Ah, tem que fazer. Mas o estado terá que tomar determinadas medidas. Se a gente não conseguir transmitir isso para a população como um todo, nós não vamos conseguir sair do atoleiro.

O senhor fala do plano de privatização?
Privatização ou, se não der, federaliza.

Algo o surpreendeu neste período na transição?
A gente já sabia que a situação do país estava bem complicada. Ah, mas sabe o que me surpreendeu? A quantidade de pessoas que vem aqui pedir emprego. Nunca vi tanta gente atrás de cargos!