Jornal fez “malabarismo linguístico” para evitar dizer que país teve melhora econômica sob atual governo

Elogiar o governo do presidente Jair Bolsonaro parece ser uma tarefa “realmente” difícil para veículos como a Folha de São Paulo. Uma coluna publicada no último sábado (25), pelo jornalista Vinícius Torres Freire, mostra bem a que ponto chega o “malabarismo” da publicação para não citar qualquer ponto positivo do atual chefe do Executivo e sua administração.

Em um texto intitulado “Bolsonarismo perde, Bolsonaro ganha”, o colunista usa o termo “despiora”, em uma tentativa do que parece ser evitar dizer que o país teve uma melhora econômica com a atual gestão. A manobra, é claro, não foi perdoada e virou alvo dos internautas.

– Os caras inventaram um “despiora econômica” para não dizer que a economia com Bolsonaro melhorou – escreveu um usuário do Twitter.

E a tal “invenção”, não parece ser algo simplesmente retirado da cabeça dos usuários das redes sociais. Segundo o professor de Língua Portuguesa, Rogério Batalha, o verbo “despiorar” não está nos dicionários e, portanto, poderia ser caracterizado como um termo inventado, ou um neologismo.

– Despiorar, no sentido de tornar ou ficar menos pior, pelo que me parece, ela não está dentro de um padrão culto. Ela [a palavra] está muito próxima de um neologismo, uma palavra inventada, do que de uma palavra dicionarizada. Então, à princípio, eu acho que ela não existe enquanto padrão culto – destacou.

Em uma breve busca nos principais dicionários de Língua Portuguesa, como o Houaiss ou o próprio VOLP, levantamento de palavras feito pela Academia Brasileira de Letras, o verbo não consta, o que parece corroborar o que foi dito pelo professor Rogério.

O fato é que, existindo ou não, o uso da palavra “despiora” por um jornal de grande circulação, como a Folha de São Paulo, parece ser mais uma prova de que a tal isenção, bancada por alguns veículos da grande mídia, realmente não existe.