Dornelles assume governo do RJ imediatamente: ‘É uma violência contra Pezão’

Governador foi preso na manhã desta quinta na operação Lava Jato. Segundo o MPF, ele começou a operar um esquema de corrupção próprio após a prisão de Sérgio Cabral.

O vice-governador Francisco Dornelles, de 83 anos, assumiu automaticamente o governo do estado do Rio de Janeiro após a prisão governador Luiz Fernando Pezão, na manhã desta quinta-feira (29), na Operação Boca de Lobo, em mais uma etapa da Lava Jato no Rio.

“É um violência contra Pezão. Foi uma surpresa. Em primeiro lugar, vamos dar prosseguimento a todas as ações do regime de recuperação fiscal. Já conversei por telefone com o presidente Michel Temer, garantindo isso. Vamos também continuar com os trabalhos de transição. Falei hoje o governador eleito e já dei essa garantia a ele. Vamos procurar ter o melhor relacionamento com os principais poderes. Já conversei também por telefone com o presidente da Alerj, André Ceciliano. Marcamos de conversar pessoalmente agora pela tarde”, disse o agora governador em exercício, em entrevista à GloboNews.

Por volta das 11h, Dornelles já estava no Palácio Guanabara, sede oficial do governo do RJ.

“O governador em exercício afirma que o Governo do Estado do Rio de Janeiro manterá todas as ações previstas no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e dará prosseguimento aos trabalhos de transição de governo, reiterando o seu maior interesse na manutenção do bom relacionamento com os demais Poderes do Estado”, ressaltoiu, em nota, a assessoria do governo do estado.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Pezão operava um esquema de corrupção próprio, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental na organização criminosa do ex-governador, inclusive sucedendo-o na sua liderança, Pezão operou esquema de corrupção com seus próprios operadores financeiros.

Dornelles nasceu em Belo Horizonte no dia 7 de janeiro de 1935, é advogado e tem especialização em finanças. Ele foi ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. É sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves e primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Junto com Pezão, Francisco Dornelles foi alvo de mais de dez pedidos de impeachment, no governo do RJ. Oito deles foram arquivados.

Em uma possível ausência do vice-governador, quem assume o cargo é o presidente da Assembleia Legislativa. Em novembro de 2017, o então presidente da Alerj, Jorge Picciani, também foi preso, alvo da Operação Cadeia Velha, e afastado da presidência da Casa.

Picciani é suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Em março deste ano, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu prisão domiciliar ao parlamentar, que é cumprida na casa dele, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade.

Com relação ao processo sucessório referente ao governo estadual, o presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, André Ceciliano, alegou que não poderia assumir o cargo de governador.

No entendimento da Alerj, na situação atual, o terceiro na linha sucessória seria o presidente do Tribunal de Justiça. O sucessor de Picciani na Alerj é o primeiro vice-presidente, deputado Wagner Montes, que vem renovando a licença médica a cada 30 dias. Ceciliano, segundo vice-presidente é, portanto, interino do interino.