Dois motoristas de aplicativo de transporte foram mortos a tiros nesta quarta-feira por ladrões de carros. Um deles foi Ronaldo Souto, de 63 anos, que trabalhava como motorista há cerca de seis meses e havia acabado de trocar de carro. Seu filho Victor Meirelles, de 27 anos, foi ao Instituto Médico-Legal (IML) para a liberação do corpo na manhã desta quinta-feira. Ronaldo foi atingido após ser abordado na Avenida Martin Luther King Júnior, em frente ao Sesi, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio, por volta das 19h.

De acordo com o empresário Nelson Meirelles, que era cunhado de Ronaldo, o idoso foi morto supostamente ao se assustar com o bandido.

– Meu cunhado Ronaldo era motorista de aplicativo estava retornando por volta de 19h para casa quando foi abordado por um homem em frente ao Sesi de Vicente de Carvalho. Ele estava assaltando um motociclista na frente do Ronaldo e desistiu da moto quando viu o carro. Partiu para cima do veículo, um Logan branco. Meu cunhado certamente se assustou e tirou o pé da embreagem. O carro deu um arranque, e o bandido disparou um tiro que acertou as costas dele. Vamos ter a posição correta agora no IML com a certidão de óbito. Ele não teve chance de defesa, não teve chance de atendimento médico. Foi socorrido pela própria Polícia Militar a quem a gente agradece – comentou Nelson.

Muito abalado, chorando, o filho da vítima, o vendedor Victor Meireles, não quis dar entrevista. Somente lamentou a morte do pai e disse que era um excelente pai. Ronaldo Souto deixa a mulher e dois filhos, Victor e Vanessa Meireles, de 39 anos, e dois netos.

No IML, o cunhado de Ronaldo fez um desabafo:

– Essa é a realidade no nosso Rio de Janeiro. A gente não tem mais como colocar o pé na rua, onde ficamos vítimas, reféns da bandidagem do Rio. É triste o fato, mas é o que a gente tem aqui hoje. Nesse caso específico, já chegou a informação, mas eu não tenho certeza, de que quatro pessoas que estavam no carro atrás do Logan do meu cunhado, também foram abordadas pelo bandido. Mas não sei se alguém foi atingido por algum tiro. Era um trabalhador. Era o provedor da casa e com muita dificuldade tinha trocado de carro. Acho que nem a primeira prestação tinha pagado – disse.

Nelson Meirelles comentou ainda que o cunhado estava indo para casa em Inhaúma para buscar a mulher e seguir para um culto evangélico quando foi assassinado:

– Ele era muito cuidadoso, não andava fora de horário. Estava sempre em contato com a família, que o monitorava em seus percursos. Um pouco antes de o crime acontecer ele havia telefonado para mulher e disse para ela esperar que ele estava indo buscar lá para ir a uma igreja evangélica. Ele cuidava da família e da mulher, que não tem uma saúde muito boa. A família está muito sentida. Infelizmente, nós somos vítimas. A gente vive acreditando nesses políticos, que dizem que a segurança e as coisas vão melhorar no nosso Rio de Janeiro. Infelizmente, a gente vê que não é realidade. O bandido anda solto, e a gente fica preso dentro da nossa própria casa, do nosso condomínio vivendo essa situação extremamente desagradável – concluiu.

Outro motorista também era frentista

O outro motorista morto foi Rafael Batista de Souza, que era frentista e trabalhava como motorista nas horas vagas para complementar o orçamento. Ele foi baleado na Rua General Queiroz Saião, em Irajá, por volta das 20h. Abordado pelos bandidos, ele saiu do carro e começou a correr. Um dos bandidos disparou e o matou no local com um tiro no peito.