Um aposentado que perdeu R$ 43 mil reais por meio de site. Pesquisas mostram que os crimes virtuais no Brasil aumentaram 41.000% desde o início do isolamento social.

Desde que se aposentou, em janeiro de 2018, Carlos Max Batista planejava comprar uma caminhonete. O carro ajudaria nos afazeres diários na chácara onde mora, no interior de São Paulo.

A oportunidade surgiu no dia 05 de junho. Ele entrou na internet e deu dois lances virtuais no site Private Leilão.com e acabou arrematando dois veículos.

No mesmo dia, Flavio Augusto, o suposto leiloeiro, telefonou com as instruções para retirar os carros.

“O rapaz ligou falando para eu fazer o depósito até às 16 horas e que, por causa do coronavírus, ia agendar um horário para retirar o carro. Eu, confiante, acabei entrando no golpe”, lembra Carlos.

O aposentado, de 61 anos, fez o depósito no nome de outra pessoa: Jackson de Melo da Silva. Minutos depois, recebeu mais uma ligação de Flávio Augusto. Dessa vez, o criminoso disse que o dinheiro estava bloqueado e que era necessário ir a um caixa eletrônico para resolver o problema.

“Ele pediu para eu colocar o cartão no caixa eletrônico e perguntou se eu queria trocar a senha do cartão. De repente, perguntou qual era a minha senha. Ele estava tentando um segundo golpe. Na hora eu pensei: perdi o meu dinheiro”, conclui o aposentado.

No sábado, Carlos foi até Franco da Rocha, Região Metropolitana de São Paulo. Chegando ao endereço, não havia carro.

O gerente do banco informou que, no mesmo dia do depósito, uma pessoa havia feito três saques de R$ 1.500 e realizado outras três transferências.

Os nomes de Flavio Augusto e Jackson de Melo não aparecem no site da Junta Comercial de São Paulo, entidade responsável por fiscalizar os leiloeiros do estado.

De março a maio deste ano, período do isolamento social, o número de sites suspeitos de cometer crimes virtuais no Brasil cresceu 41.000%, segundo o relatório inédito da Apura Cyber Intelligence, empresa especializada em ameaças digitais.

Maurício Paranhos, diretor-executivo da Apura, alerta para sempre desconfiar de propagandas com preços abaixo do mercado. O especialista ainda explica que é importante manter celulares e computadores atualizados:

“Por mais que seja chato reiniciar os aparelhos para atualizá-los, se você não fizer isso vai ficar vulnerável. Hoje, existem ataques gratuitos na internet.”

O criminalista Conrado Gontijo, doutor em direito penal, enfatiza que a lei prevê a restituição da vítima. Mas, na prática, não existe garantia de que isso vai acontecer.

“O procedimento criminal tem como finalidade punir o sujeito, mas promover o reconhecimento de que a vítima tem direito àquele valor. Mas será possível identificar para onde o dinheiro foi encaminhado? O dinheiro pode, eventualmente, ser sacado e desaparecer”, afirma Gontijo.

No caso apresentado pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou em nota que a vítima foi orientada sobre o prazo da representação criminal para o prosseguimento das investigações. Quando essa etapa for concluída, o caso vai ser transferido para a delegacia de Itanhaém, no litoral paulista.

A agência que recebeu o depósito de R$ 43 mil era do banco Santander. Em nota, o banco disse que orienta os clientes a sempre avaliarem a idoneidade do vendedor, em especial quando uma empresa solicita que o depósito ou transferência seja realizada para conta corrente de pessoa física. O banco pede ainda que, nesse tipo de situação, o cliente entre em contato com a instituição imediatamente. A instituição acrescentou que está tentando prestar suporte no caso citado.